Ser diagnosticado 5 vezes com câncer em 15 anos não foi capaz de parar campeão paralímpico

O campeão paralímpico de natação João Carlos não se deixou abater pelo câncer que o obrigou a amputar uma perna e retirar parte do pulmão esquerdo e hoje além de conquistar mais de 40 medalhas é um palestrante motivacional de sucesso e escritor

Divulgação

O câncer é uma doença que tem avançado nos últimos anos, somando mais de 18 milhões de novos casos registrados em 2018 no mundo, com um total de 9,6 milhões de mortes, segundo a Agência para a Pesquisa do Câncer, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ser diagnosticado com câncer pode ser uma situação desesperadora e representar uma mudança total na rotina e vida de uma pessoa. No entanto, receber a notícia que tinha a doença não foi capaz de parar o atleta paralímpico João Carlos, conhecido também nas redes sociais como João Saci, que nos últimos 15 anos foi diagnosticado 5 vezes com câncer, resultando na amputação de uma de suas pernas e de perda de mais da metade do pulmão esquerdo. Contudo, o que poderia ser motivo para se entregar, fez com que ele seguisse em frente, conquistando mais de 40 medalhas no esporte e que se tornasse escritor e palestrante.

O início

O atleta conta como foi quando recebeu o primeiro diagnóstico: “Foi um grande choque pra mim e mudou minha vida para sempre. Aos 17 anos descobriram o primeiro câncer, que se localizava no joelho, e para evitar maiores complicações com o alastramento do câncer pelo meu corpo, tive de tomar uma difícil decisão, permitindo que amputassem a minha a perna”.

Na época João praticava natação apenas de forma amadora, mas após a amputação decidiu se dedicar ao esporte com mais seriedade e competir como atleta. Uma no depois, em 2002, ele se tornou campeão brasileiro de natação, na modalidade 100 metros costas e campeão do Open de natação paralímpica em 2003 nos 100 metros costas.

Em 2004, o atleta alcançou o primeiro lugar na natação nos Jogos paralímpicos do Brasil 2004, na modalidade 100 metros costas, inclusive contando como índice classificatório para a paralímpiada de Atenas. Naquele mesmo ano seria segundo colocado no Campeonato brasileiro paralímpico, 50 metros livre

Novas descobertas

Contudo no ano de 2005, já com 4 anos atuando como atleta profissional, no auge da carreira, outra notícia veio novamente abalar o mundo de João Carlos: "descobri estar com doze nódulos no pulmão, mais um câncer. Após a retirada dos nódulos, através de uma cirurgia, precisei ainda ir para São Paulo fazer um transplante de medula e assim proceder com o tratamento contra o câncer. Foram alguns dos dias mais dolorosos e difíceis da minha vida”, revela.

Naquele período, João Carlos pensou em tirar a própria vida e teve depressão: “pensei que não valia mais a pena viver, que nada daquilo fazia sentido. Pensava que morrer podia ser a solução para acabar com tanto sofrimento”.

O Poder do Amor

No entanto, após o tratamento João conheceu um novo amor e encontrou na sua então namorada motivação para seguir adiante. Em 2006, pouco tempo depois de fazer o tratamento contra o câncer, resolveu se mudar para o Rio Grande do Sul para casar e viver este grande amor: “Eu precisava disto para seguir adiante. Hoje não sou mais casado, mas na época isto me motivou a tocar minha vida, a continuar treinando e a investir não apenas na minha carreira como atleta, mas nos estudos acadêmicos e no mercado de trabalho, explorar novos horizontes”.

A vida e suas surpresas

Anos depois, mudou-se para Florianópolis, onde mais uma vez foi diagnosticado com câncer no pulmão. Em 2010, devido a descoberta de mais um câncer, teria de realizar uma cirurgia que removeu metade do seu pulmão esquerdo, limitando para sempre sua capacidade aeróbica e respiratória: “muitos pensaram que era o fim da minha carreira como atleta. O médico me disse que eu jamais teria a mesma capacidade e que isso seria um limitante para minha vida como desportista. Mas não me deixei abater e segui lutando. Logo após a retirada de parte do meu pulmão fui campeão regional de natação paralímpica. Isto significou muito para mim”, conta.

Apesar das limitações, João Carlos seguiu conquistando medalhas e participando de competições, subindo ao pódio mais de 40 vezes nos últimos anos. Além disso, praticou corridas de aventura e provas que continuamente testam a resistência do corpo e da mente.

Em busca de uma nova modalidade esportiva para se dedicar, em 2014 fez uma aula experimental de CrossFit e acabou se apaixonando pela modalidade esportiva: : “isto me motivou a fazer uma campanha na internet para comprar uma prótese especial para corrida, que custava 50 mil reais. A campanha arrecadou 60 mil reais. A partir daquele instante percebi que a minha história tinha o poder de motivar a outros”.

Após ter sido considerado curado do câncer em 2015, após 5 anos sem o aparecimento de um novo caso, foi surpreendido no ano seguinte, em 2016, com a descoberta de mais um tumor, removido cirurgicamente. Era o quinto câncer em 15 anos de muita luta, tratamentos e intervenções cirúrgicas.

Palestras e livro

Sua história começou a impactar pessoas em todo o país e assim surgiram espontaneamente em 2017 convites para que João Carlos começasse a fazer palestras. Em 10 meses fez cerca de 30 palestras, que aconteciam sempre aos finais de semana, por todo o Brasil, atividade que ele segue até hoje: “quero através das minhas palestras não apenas contar a minha história, mas provar que é possível vencer as adversidades e que não é necessário desistir de viver. Quero mostrar que a dor tem uma capacidade enorme de ensinar.  Todo mundo tem alguma dor e que essa dor vista por um outro ponto de vista pode trazer um grande crescimento”.

Em fevereiro de 2019, João Carlos lançou seu livro, Nascido para Vencer, quando completou 13 anos da realização do transplante de medula, uma data emblemática para ele. Naquele mesmo ano, foi de Porto Alegre até Goiânia de carro, fazendo nestes quase 2000 quilômetros de percurso paradas em diversas cidades, para realizar mini palestras e eventos de lançamento do livro: "foi uma experiência incrível, de poder ter um contato bem próximo com as pessoas e impactar vidas. Foi um dos momentos mais emocionantes e gratificantes de tudo que vivi. Ali percebi que minha vida tinha um propósito maior que a minha própria vida apenas, mas que eu poderia fazer a diferença na vida de outros".

Agora em 2020 segue investindo na sua carreira como palestrante motivacional e na divulgação de seu livro e pretende em abril realizar uma nova e emocionante aventura, que será chegar a um acampamento no Everest, conhecida como a maior montanha do mundo.

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