Oscar Schmidt receberá o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico 2019

Jogador de basquete com mais pontos em Jogos Olímpicos será homenageado por representar valores como eficiência técnica e física, espírito coletivo e dedicação

Oscar em Atlanta 1996, a 5ª participação em Jogos Olímpicos dele, aos 38 anos - Foto: Acervo COB

A dedicação incansável ao aperfeiçoamento dos fundamentos, a eficiência técnica e física e o espírito coletivo são algumas das marcas da carreira esportiva de Oscar Daniel Bezerra Schmidt, o Mão Santa, o homenageado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, no Prêmio Brasil Olímpico 2019. A cerimônia será realizada no dia 10 de dezembro, às 20hs, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.


"Além de toda a qualidade técnica e daquele inesquecível título de 1987, o Oscar é um grande exemplo para os novos atletas por sua dedicação e o mais alto nível de desempenho. É importante destacar também o espírito de equipe que sempre marcou a carreira do nosso cestinha e todo seu amor pela seleção brasileira. Por tudo isso, fico muito satisfeito de entregar o Troféu Adhemar Ferreira da Silva para o Oscar", disse Paulo Wanderley Teixeira.


"Uma honraria incrível, nem acredito que isso está acontecendo comigo. Fazer parte desse grupo de grandes atletas, grandes personagens do esporte, já me faz muito feliz. Quem diria que eu ia chegar nesse ponto? Só tenho a agradecer ao COB e a todos que me indicaram a esse prêmio. Muito obrigado", disse Oscar que, com 49.737 pontos, é o maior pontuador da história do basquete, superando o americano Kareem Abdul Jabbar.


O "Mão Santa" nasceu em Natal, em 16 de fevereiro de 1958, mas passou por Brasília e São Paulo e entrou para a história do esporte olímpico nacional nos Estados Unidos. Diferentemente de muitos atletas do basquete que se dedicam à NBA, principal liga da modalidade no mundo, Oscar se recusou a jogar o campeonato para poder continuar defendendo a seleção brasileira. Até 1989 apenas amadores poderiam jogar os torneios de seleções. E foi assim que ao lado de Marcel, Guerrinha, Gérson, Israel, Amaury e outros grandes nomes, liderou o Brasil em um dos maiores feitos da seleção masculina de basquete: o ouro nos Jogos Pan-americanos em Indianápolis 1987 vencendo os americanos por 120 a 115, de virada. Era a primeira vez que os EUA perdiam um jogo em casa.


"A minha maior lembrança dos Jogos Pan-americanos é mesmo a redinha na minha cabeça, porque representa a história do basquetebol brasileiro. Tenho um orgulho danado de ter ganhado, foi realmente uma conquista imensa. Cinco anos depois, os Estados Unidos jogavam com o Dream Team e não tenho dúvidas de que nós contribuímos muito para a mudança das regras", comentou.


Mas esse é apenas um dos feitos de Oscar. Ele disputou os Jogos Olímpicos de Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. E é o recordista de participações na modalidade, com cinco, ao lado do porto-riquenho Teófilo Cruz e do australiano Andrew Gaze. A boa estatura (2,05m de altura) e o talento para jogar basquete, aliados à dedicação e ao profissionalismo, permitiram ao brasileiro ser o cestinha dos Jogos em 88, 92 e 96, um recorde. Mais do que isso, tem o feito de ser o maior cestinha da história das Olimpíadas com 1.093 pontos. Ninguém acertou mais cestas de dois pontos, de três pontos e em lances livres em Jogos Olímpicos que ele.


Em Seul, Oscar se tornou o maior cestinha de uma partida de Jogos Olímpicos ao assinalar 55 pontos contra a Espanha e conseguiu a impressionante média de 42,3 pontos por jogo, recorde até hoje. Vale destacar que em 88 o ala já tinha 30 anos.


"Jogar cinco Olimpíadas não é para qualquer um. Infelizmente, eu não consegui a medalha, o que eu mais queria. E foi por minha culpa. Em 88, nós tivemos a chance de ganhar da União Soviética e eu errei o arremesso. Mas foi bonito me despedir dos Jogos com 38 anos porque não foi fácil chegar lá, passando pelo pré-olímpico", contou Oscar.

Filho de militar, Oscar sempre foi incentivado a praticar esportes. Mas a bola laranja não foi sua primeira escolha, o esporte preferido era o futebol. O basquete só entrou na vida do craque quando se mudou para Brasília, aos 13 anos de idade, e ingressou no Clube Unidade Vizinhança, primeiro clube dele, treinado por Laurindo Miura. Em 1974, aos 16 anos de idade, Oscar foi para São Paulo, para iniciar sua carreira no infanto-juvenil do Palmeiras. Apenas 3 anos depois, foi eleito melhor pivô do sul-americano juvenil e, com isso, garantiu vaga na seleção principal, com a qual foi campeão sul-americano e ganhou uma medalha de bronze no campeonato mundial das Filipinas, em 1978.


Oscar jogou 11 temporadas na Itália, de 82 a 93, 8 pelo Juvecaserta e 3 pelo Pavia, onde anotou 13.957 pontos, se tornando o primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano. A passagem foi tão marcante que Oscar teve seus números nos clubes aposentados: o 18 do Juvecaserta e o 11 do Pavia. Mas em 84 quase foi parar nos Estados Unidos. O desempenho dele nos Jogos de Los Angeles foi tão marcante que o New Jersey Nets, de Nova York, tentou contratá-lo após o torneio. Já a passagem pela Espanha, no Forum Valladolid, após Barcelona 1992, rendeu um livro chamado "Jugar como Oscar", do escritor Felix Angel. No Brasil, ainda passou por Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie novamente, até se aposentar no Flamengo, em 2003.


Após se retirar das quadras, Oscar passou a se dedicar a palestras sobre sua rica história de vida, marcada pela superação de grandes obstáculos, inclusive um tumor no cérebro, graças à sua dedicação e à paixão que coloca em tudo que faz. Já são mais de 800 palestras ministradas.

O Troféu Adhemar Ferreira da Silva vai se juntar a uma grande lista de homenagens que Oscar já recebeu. Ele foi nomeado um dos 50 Maiores Jogadores de Basquete da História pela FIBA em 1991. Em agosto de 2010, foi incluído no Hall da Fama da FIBA, em reconhecimento ao que jogou em competições internacionais. E em 2013, Oscar, mesmo sem nunca ter atuado na NBA, colocou seu nome no Hall da Fama do Basquete dos EUA.


PBO 2019 Na 21ª edição, o Prêmio Brasil Olímpico ainda vai premiar outras categorias. Concorrem ao troféu de Melhor Atleta do Ano: Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Beatriz Ferreira (boxe) e Nathalie Moellhausen (esgrima), no feminino; e Arthur Nory (ginástica), Gabriel Medina (surfe) e Isaquias Queiroz (canoagem velocidade), no masculino.


Ana Marcela Cunha (maratonas aquáticas), Ana Sátila (canoagem slalom), Bruno Rezende (vôlei), Flávia Saraiva (ginástica Artística), Hugo Calderano (tênis de mesa), Ítalo Ferreira (surfe), Mayra Aguiar (judô), Nathalie Moelhausen (esgrima), Paulo André (atletismo) e Pedro Barros (skate) são os candidatos a Atleta da Torcida. A votação está aberta e pode ser feita através do link: pbo.cob.org.br. Serão premiados, ainda, o Melhor Técnico Individual e Coletivo; e Melhores Atletas nos Jogos Escolares da Juventude.


Além das premiações aos melhores de 2019, o Prêmio Brasil Olímpico deste ano homenageará mais seis ídolos do esporte nacional com a inclusão de seus nomes no Hall da Fama do COB: Joaquim Cruz, campeão olímpico dos 800m em Los Angeles 1984 e prata em Seul 1988; Magic Paula, campeã mundial de basquete em 1994 e prata nos Jogos Olímpicos Atlanta 1996; e os já falecidos Guilherme Paraense, atirador, primeiro campeão olímpico do país na história dos Jogos Olímpicos, em Antuérpia 1920; João do Pulo, bronze olímpico no salto triplo em Montreal 1976 e Moscou 1980; Maria Lenk, nadadora, primeira mulher sul-americana a disputar os Jogos Olímpicos, em Los Angeles 1932; e Sylvio Magalhães Padilha, primeiro sul-americano a disputar uma final olímpica no atletismo, nos 400m com barreiras, em Berlim 1936.


O Troféu Adhemar Ferreira da Silva Criado em 2001, o Troféu Adhemar Ferreira da Silva tem como objetivo homenagear atletas e ex-atletas que representem os valores que marcaram a carreira e a vida de Adhemar, bicampeão olímpico no salto triplo, tais como ética, eficiência técnica e física, esportividade, respeito ao próximo, companheirismo e espírito coletivo.


Homenageados com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva 2001 – Nelson Prudêncio - Atletismo 2002 – João Gonçalves Filho - Natação e Polo Aquático 2003 – Amaury Antonio Passos - Basquete 2004 – Maria Lenk - Natação 2005 – Agberto Guimarães - Atletismo 2006 – Aída dos Santos - Atletismo 2007 – André Gustavo Richer - Remo 2008 – João Havelange - Natação e Polo Aquático 2009 – Joaquim Cruz - Atletismo 2010 – Eder Jofre - Boxe 2011 – Bernard Rajzman - Vôlei 2012 – Hortência – Basquete 2013 – Torben Grael – Vela 2014 – Vanderlei Cordeiro de Lima – Atletismo 2015 – Gustavo Kuerten - Tênis 2016 – Bernardinho – Vôlei 2017 – Lars Grael – Vela 2018 – Jackie Silva – Vôlei de Praia 2019 – Oscar Schmidt – Basquete

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