Niterói realiza sonho de atletas da base na Copa Sul-Americana

Pela primeira vez na história, equipe disputou um torneio fora do Rio de Janeiro e agora luta por mais investimentos


Foto: Lucas Guanaes/Niterói Basquete

No início do último mês de junho, uma história curiosa chamou a atenção nas redes sociais. Por meio de seu perfil oficial no Twitter, a equipe do Niterói-RJ pediu ajuda para viabilizar a participação de seus times sub-16 e sub-17 na Copa Sul-Americana de Basquete, que viria a ser disputada no mês seguinte, em São Paulo.


Uma das estratégias adotadas para angariar fundos veio por meio de uma “vaquinha” online. Pouco mais de um mês de campanha, o Niterói conseguiu os recursos necessários e realizou o sonho de seus atletas. Entre os dias 21 e 26 de julho, as duas categorias participaram do torneio realizado no Clube Esperia, na capital paulista, que contou com o apoio da Federação Paulista de Basquete (FPB).


A pequena história acima chama a atenção para a necessidade de uma discussão a respeito dos investimentos nas categorias de base do basquete e também sobre a estrutura da modalidade no país. Para isso, a equipe do Poliesportivo conversou com Thiago Brani, presidente do Niterói e também técnico das categorias sub-17 e sub-19.


Thiago falou sobre a importância da Copa Sul-Americana para os garotos do Niterói, que tiveram a oportunidade de disputar um torneio em outro estado pela primeira vez:


“Nosso objetivo nessa competição foi evoluir a equipe e mostrar como o basquete pode ser tratado com profissionalismo desde os primórdios. A partir disso, queremos que os meninos passem a entender a importância dos treinos de fundamento, da disciplina tática e do cuidado físico. Acredito que eles cresceram bastante dentro do campeonato. Outro ponto que merece destaque é o número de jogos, equivalente a um turno Sub-17 e ao torneio inteiro Sub-16 aqui no Rio de Janeiro”, analisou.


No torneio sul-americano, a categoria sub-17 do Niterói terminou na 5ª posição; já os garotos do sub-16, na 8ª. Brani fez um balanço sobre a competição e elogiou a postura de seus atletas.


"A resposta da garotada foi excelente, além da evolução esperada. Todos se dedicaram exclusivamente à competição. Outro aspecto foi o tático, onde viram que não adianta fazer mais ou menos. No Sub-17, conseguimos desenvolver um armador que nunca tinha jogado na posição, descobrimos um excelente defensor e tivemos o melhor arremessador de três pontos do campeonato. Já no Sub-16, a surpresa foi até maior pelo fato de ter uma equipe com menos bagagem. Vimos talentos aflorarem e atletas fazerem exibições de alto nível na categoria de cima *. Então, no geral, o saldo foi 100% positivo."



Delegação do Niterói em São Paulo - Divulgação/Niterói Basquete

De volta a Niterói, Thiago Brani retoma a luta para melhorar as condições de trabalho e atrair investimentos. Ele lamentou a falta de apoio ao esporte na cidade e ressaltou que o clube necessita de mais recursos para que os resultados dentro de quadra sejam ainda melhores.


“A dificuldade, por muitos anos, foi quadra. Hoje, através de parcerias, temos nossos espaços para treinos e jogos, mas ainda dependemos do aporte financeiro para pagar melhor os funcionários do clube e trazer outros para compor melhor o trabalho multidisciplinar. Os esportes têm muito descrédito em Niterói, tanto nas instituições públicas como nas privadas. Fazemos o que podemos com os poucos e fiéis parceiros, mas é difícil entregar excelência com pouca verba”, explicou.


Thiago também fez críticas pontuais ao trabalho realizado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete) na formação de jovens atletas e relatou os desafios que enfrenta para colocar o Niterói em disputas a nível nacional. Atualmente, a agremiação possui equipes nas categorias sub-16, sub-17 e sub-19**, além do adulto.


“O trabalho de excelência na base brasileira é em São Paulo, mas você até acha alguns times excelentes em Minas e outros projetos pingados pelo Brasil. Quanto ao trabalho da CBB, não posso elogiar completamente. Entendo que eles estão limpando anos de desgoverno, mas até agora não retomaram os brasileiros de seleção. A Copa Brasil de Clubes*** só permite equipes filiadas ao CBC (Comitê Brasileiro de Clubes), que cobra uma mensalidade absurda. Infelizmente, não há massificação ainda. A base precisa abastecer o adulto. Na Argentina, por exemplo, há 300 times na capital. Só aí já se vê a diferença”, disse.


Thiago Brani - Foto: Lucas Guanaes/Niterói Basquete

No profissional, o Niterói participa do Campeonato Carioca e do "Cariocão", torneio preparatório para o estadual. O presidente Thiago ressaltou que trabalha para que o clube tenha condições em breve de disputar o Campeonato Brasileiro de Clubes da CBB, torneio que garantirá vaga para o NBB, principal torneio do basquete brasileiro.


“A expectativa é alta. Estamos melhorando a cada ano em termos de gestão e dentro de quadra. É um trabalho a longo prazo, de formiguinha, mas que está pisando firme para ser duradouro. A arrecadação, como já disse, é complicada e o adulto depende exclusivamente disso. Estamos trabalhando e buscando mais parceiros para fazer a máquina funcionar. Esperamos estar na vitrine sempre”, finalizou.


*O Niterói disputou o torneio sub-16 com garotos de 14 e 15 anos.

**Com exceção de três atletas de 19 anos, o Niterói disputa a categoria sub-19 com os atletas do sub-17.

***A Copa Brasil de Clubes é um torneio nacional chancelado pela CBB. O campeonato abrange as categorias sub-12, sub-13, sub-14, sub-16, sub-18 e sub-21.

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