Henrique Avancini: "O objetivo para Tóquio 2020 é, claramente, brigar por medalha"

Ciclista brasileiro do Mountain Bike vem conquistando bons resultados e se prepara para buscar uma medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio/2020

Foto: Red Bull


As bicicletas entram muito cedo na vida das pessoas, geralmente sendo um dos primeiros presentes e meios de diversão e lazer que uma criança pode ter. Esse foi o caso de Henrique Avancini, principal ciclista brasileiro no Mountain Bike (MTB) Cross Country.


Nascido em Petrópolis/RJ, ele começou a competir aos 8 anos de idade, com uma bicicleta de sucatas montada da oficina do seu pai. Avancini se tornou o primeiro ciclista do Brasil a vencer o Campeonato Nacional em todas as categorias do MTB, desde Junior até Elite.


Em 2012, o brasileiro se classificou para os Jogos Olímpicos de Londres e, um ano depois, conquistou seu décimo título brasileiro no Cross Country. Também disputou a Olimpíada do Rio de Janeiro/2016 e, no ano passado, conquistou o inédito título de campeão mundial de Mountain Bike maratona (XCM), na Itália.


Em 2019, tem marcado presença nos pódios da Copa do Mundo de Mountain Bike, além de ter se sagrado campeão brasileiro na categoria Maratona (XCM) e no Cross Country e conquistado o bronze nos Jogos Pan-americanos de Lima.


Henrique Avancini conversou com o Poliesportivo sobre seus últimos resultados, sua rotina de treinamentos e a expectiva e preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Confira:


Foto: Red Bull


Poliesportivo: Você começou muito bem a prova do Campeonato Mundial de MTB, no Canadá, mas acabou ficando em 10º lugar. Quais foram as principais dificuldades que encontrou na competição?


Henrique Avancini: Para o Campeonato Mundial, eu sabia da minha condição ou falta de condicionamento para brigar por uma vitória ou medalha. Tive um segundo semestre bastante cheio e, o que é normal, duas intoxicações muito pelas posições, climas, ambientes e, apesar de eu controlar muito alimentações diferentes, acabei tendo uma pequena dificuldade na véspera da prova. Isso acabou tirando um pouco da capacidade de treinamento e, principalmente, da absorção do training camp que foi exigente. Sabia que as minhas condições eram longe das ideais, mas que eu vinha de uma temporada muito consistente e, ainda assim, teria ritmo para andar no pelotão de frente.


Mont-Saint-Anne é um dos percursos mais pesados por ser uma das pistas de maior inclinação, tanto para cima quanto para baixo, e as descidas também tiram bastante do corpo do atleta. Eu acabei fazendo uma volta e meia para o final com o grupo que disputava a medalha, algo que seria uma possibilidade pequena de eu conseguir, mas dependendo de como a corrida se desenvolvesse, eu teria possibilidade. Além disso, precisava concluir meu objetivo da temporada, que era ter o máximo de tempo de disputa no pelotão de frente. Eu consegui realizar no Campeonato Mundial, mesmo tendo perdido o ritmo na última volta e o corpo não ter suportado toda a competição no ritmo necessário para andar na ponta.


Você treina e mora no Brasil ou no exterior?


Eu passo cerca de 5 a 6 meses no exterior, viajando em vários países para competir e treinar. Boa parte do treinamento é realizado no Brasil, mais especificamente em Petrópolis. A pré-temporada eu divido entre Petrópolis e África do Sul nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, principalmente para ter um ambiente mais tranquilo e concentrado somente nos treinamentos e testes de equipamentos. Divido o training camp com os parceiros de equipe e é assim que eu estruturo a temporada em relação à minha preparação.


Foto: Red Bull


O nível dos campeonatos no Brasil está próximo do encontrado em outros países, principalmente Estados Unidos e Canadá?


O nível dos campeonatos no Brasil é crescente. Boa parte das principais competições acontecem no continente americano. Talvez, as pistas sejam o único ponto falho, que fique aquém das grandes competições. É um esporte muito desenvolvido na Europa e, quando a gente compara os níveis de competição e circuito, ficamos atrás. Mas, temos, talvez, o cenário mais crescente do MTB mundial. O esporte tem se desenvolvido no Brasil e estamos na direção correta.


Como você divide a sua rotina de treinamentos?

A rotina de treinamento depende muito do momento da temporada e dos objetivos da preparação. Mas, eu chego a realizar 4 sessões de treinamento em um dia. Meu dia começa bem cedo e termina bem tarde. No período da manhã, assim que eu acordo, eu tento fazer alguns afazeres de mídia, e-mail, e no final do dia também. Entre os intervalos de treino, eu tento me concentrar na própria recuperação, tento passar um tempo com a minha família e a rotina de treinos é muito interligada entre eles. Os dias são bastante cheios e corridos.

O seu objetivo é brigar por medalha na Olimpíada de Tóquio/2020?

O objetivo para Tóquio 2020 é, claramente, brigar por medalha. Acredito que eu tenha consolidado esse nível ao longo de 2019, fechando o ranking mundial na vice-liderança e terminei a classificação geral da Copa do Mundo na terceira colocação, então, o grande objetivo é consolidar a performance para brigar pela medalha. Eu acredito que tenha feito isso ao longo do ano e acho que tenho margens melhores para 2020.


Seguindo nesse caminho, largo em Tóquio, assim como em todas as provas, considerado pelos especialistas como um candidato a Top 3 ou vitória, apesar de não ter vencido nenhuma etapa da Copa do Mundo no formato olímpico, só no short track. Em todas as provas, eu larguei como candidato a vitória. Não há nenhuma razão para eu não chegar em Tóquio 2020 nesse nível.


Foto: Red Bull


Você recebe apoio financeiro da Confederação brasileira de Ciclismo?


Não recebo a apoio financeiro por parte da Confederação Brasileira de Ciclismo.

O que acha que é mais incrível na sua modalidade?

O que eu acho mais incrível na modalidade é o quão complexo e imprevisível é o MTB. Nunca temos duas pistas iguais, não há parâmetro fixo. Essa variabilidade da modalidade me encanta. Você nunca domina a execução, pois você nunca sabe o que precisa executar. Você precisa sempre buscar o desenvolvimento e a ampliação das capacidades. É o que mais me encanta nesse esporte que eu escolhi para a minha vida.


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