Bernardo Möller: “Quero estar entre os melhores”

Em entrevista exclusiva ao Poliesportivo, armador do Esporte Clube Pinheiros falou da expectativa para o início da Liga de Desenvolvimento de Basquete


Crédito da foto: Arquivo pessoal

Nesta quarta-feira (24/07), terá início a edição 2019 da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete), principal torneio das categorias de base no Brasil. A competição, criada em 2011, vem sendo marcada pela revelação de novos talentos. Já passaram pelo certame nomes como Bruno Caboclo, Didi Louzada e Lucas Dias, recém-convocados para a Seleção Brasileira principal.


Uma das promessas deste ano é Bernardo Möller, de 20 anos, reforço do Pinheiros. O armador, de 1,91 de altura, foi um dos destaques da edição passada atuando pelo União/Corinthians (RS), registrando médias de 18,6 pontos, 3,5 rebotes e 1,9 assistências. Após sua participação no torneio, ele atuou pela primeira vez entre os profissionais pelo Pato Basquete, na Liga Ouro 2019.


Nascido em Porto Alegre, Bernardo iniciou sua trajetória no Clube GNU, de sua cidade natal. Aos 14 anos, quando atuava pela SOGIPA, chamou a atenção de técnicos estrangeiros, que o levaram para jogar no High School dos Estados Unidos, onde atuou por duas temporadas. De volta ao Brasil, Möller se destacou na Copa Brasil de Clubes Sub-21 em 2018, levando sua equipe, o União/Corinthians, ao vice-campeonato, perdendo somente na decisão para o Fluminense.


Prestes a estrear na LDB 2019, Bernardo Möller conversou com a equipe do Poliesportivo. Entre outros assuntos, o armador falou sobre sua experiência no basquete americano, a expectativa para entrar em quadra pelo Pinheiros e o que pensa sobre a estrutura da modalidade no Brasil.


Confira:


Poliesportivo: Bernardo, fale sobre sua preparação para a LDB e as expectativas do Pinheiros nesta edição.


Bernardo Möller: Venho me preparando para a LDB 2019 desde a última edição, por conta própria e também durante a minha passagem na Liga Ouro. No Pinheiros, além de aprimorar minhas habilidades e a parte física, trabalhar com o David (Pelosini), técnico que sempre admirei, está me acrescentando muito na parte coletiva e no entrosamento. Pelo fato do Pinheiros ser o atual campeão da LDB, isso me trás motivação e responsabilidade. Vamos defender o título e manter a nossa posição.


P: Nomes importantes do basquete brasileiro, como Bruno Caboclo, Didi, Yago e Lucas Dias, participaram da LDB. Isso é algo que o motiva em relação à visibilidade que a competição dá?


BM: Com certeza serve de grande motivação. Assim como eles, busco colocar minha experiência em prática, tendo visibilidade para um dia estar jogando entre os melhores.


P: Falando do High School norte-americano, o quanto foi importante para o seu jogo e pessoalmente a sua passagem nos Estados Unidos?


BM: Pude aprender muito com as minhas duas temporadas nos Estados Unidos. Competir com atletas de alto nível acrescentou muito à minha bagagem, fazendo grande diferença quando voltei para jogar no Brasil, pois lá tive a oportunidade de jogar contra atletas que hoje estão na NBA. Também foi muito válido por todas as experiências extra-quadra que tive e todas as pessoas que tive a chance de conhecer. Viver uma realidade diferente da nossa aqui no Brasil me ajudou a crescer muito como pessoa e amadurecer. Morei com atletas de diversos lugares do mundo, uma troca de experiências incrível!

P: O que você notou de diferente no jogo de lá em relação às categorias de base aqui no Brasil?


BM: O jogo americano é bastante diferente, é outra escola de basquete. É um jogo muito rápido e que depende bastante de sua condição física. É por isso que atletas americanos, quando jogam contra os de outros países, buscam a vantagem no jogo físico. O número de atletas lá é incomparável com o do Brasil, onde temos poucos atletas em relação ao tamanho do país. Como tive a oportunidade de jogar um campeonato mundial na França, posso dizer que o basquete brasileiro se assemelha mais ao estilo europeu, que é um jogo mais tático.



Bernardo em ação nos Estados Unidos/Arquivo pessoal

P: Com base na sua experiência nos campeonatos de base da CBB e LDB, qual a sua avaliação sobre o atual momento do basquete brasileiro?


BM: O basquete brasileiro vem crescendo visivelmente nos últimos anos e esses campeonatos de base são de grande importância para jovens atletas que querem chegar ao próximo nível. Se continuarmos focando na base, com certeza só iremos crescer.


P: Como foi para você a experiência de ter disputado a Liga Ouro e o que acha dela agora ser substituída pelo Campeonato Brasileiro de Clubes da CBB?


BM: Tive uma ótima experiência na Liga Ouro 2019. Foi o meu primeiro contato direto com o basquete adulto e um grande aprendizado. O Campeonato Brasileiro de Clubes da CBB, por ser um campeonato à parte e de boa qualidade, esperamos que dê oportunidade para jovens atletas que buscam uma vaga em times que atuam no NBB.


P: Nos Estados Unidos, a preparação do atleta é feita em conjunto com a “carreira” escolar (High School e College). Você acha que seria viável aqui no Brasil termos parceria entre os clubes e instituições de ensino, incentivando o estudo e ao mesmo tempo fortalecendo os campeonatos escolares?


BM: Isso seria algo maravilhoso e um grande avanço tanto esportivo como acadêmico para o Brasil, pois sem estudo não temos nada. Juntar isso com o esporte seria ótimo, pois aumentaria a responsabilidade e ética de trabalho dos atletas, como também traria mais competitividade aos campeonatos profissionais, devido a um número maior de atletas de qualidade que viriam dos campeonatos escolares e universitários.


P: Sendo um estudante de Administração de Empresas, como você se organiza para conciliar os estudos com a carreira no basquete? Você já faz algum tipo de planejamento para a carreira pós-esporte?


BM: Conciliar os estudos com a carreira de basquete é algo que já venho fazendo há bastante tempo. Sempre tive uma carga horária de treinos alta e bastante exigência acadêmica por conta das instituições que estudei. Procuro sempre planejar bem minhas horas de estudo e prestar atenção nas aulas para depois não ter que recuperar tudo por conta própria em casa. Já tenho algumas ideias para o futuro, mas o meu foco atual é o basquete.


A tabela completa da LDB 2019 está disponível no site da Liga Nacional de Basquete: http://lnb.com.br/ldb/tabela-de-jogos

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