Ítalo Ferreira é o campeão mundial de surfe na final com Gabriel Medina no Billabong Pipe Masters

Atleta potiguar conquistou o título decidido na segunda final 100% brasileira nos tubos de Pipeline que fechou a temporada 2019 do World Surf League Championship Tour no Havaí

Divulgação WSL – World Surf League

O surfista Ítalo Ferreira conquistou seu primeiro título mundial na Championship Tour da World Surf League (WSL) nesta quinta-feira (19), ao brilhar na etapa de Pipeline do Circuito Mundial, no Havaí. Ele levou a melhor sobre seus adversários na última etapa da temporada organizada pela WSL (Liga Mundial de Surfe, da sigla em inglês) e faturou o cobiçado troféu, deixando fortes rivais para trás, como os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, o sul-africano Jordy Smith e o norte-americano Kolohe Andino, que iniciaram o evento também com chances. A WSL organiza uma calorosa recepção ao atleta, quando ele desembarcar no Aeroporto de Cumbica, neste domingo (22).


"Eu não acredito. Era o meu sonho, lutei minha vida toda por isso. Dedico para minha avó e meu tio que morreram faz pouco tempo", afirmou o surfista, aos prantos, bastante emocionado. Ele superou Medina na final da competição, e com isso confirmou o primeiro título mundial em seu currículo. "O Gabriel é um grande competidor, parabéns para ele que brigou até o fim. É incrível isso estar acontecendo", continuou.


O título coloca Ítalo na pequena galeria de campeões mundiais e um dos poucos brasileiros a conseguir tal feito. Além dele, Gabriel Medina tem duas taças (2014 e 2018) e Adriano de Souza, o Mineirinho, uma (2015). O resultado ainda mostra a força da "Brazilian Storm", como essa geração de surfistas nacionais é chamada. Nos últimos seis anos, em quatro o Brasil foi campeão - as outras duas foram vencidas pelo havaiano John John Florence.

Divulgação WSL – World Surf League

A conquista de Ítalo Ferreira veio da maneira mais emocionante possível. Ele passou por Jadson André, Peterson Crisanto, Yago Dora e Kelly Slater até chegar à final. Do outro lado da chave, Medina superou Imaikalani deVault, Caio Ibelli, John John Florence e Griffin Colapinto. Só que na disputa entre os dois brasileiros, na final, Ítalo levou a melhor, ganhando por 15,56 a 12,94 e fez a festa nas areias de Pipeline com sua torcida.


O título coroa uma ótima temporada de Ítalo, que também colocou em sua galeria de conquistas um outro importante troféu em 2019: o do ISA Games, em Miyazaki, no Japão, quando superou surfistas do mundo inteiro para ficar com a medalha de ouro no evento que serviu para sentir as ondas do país que receberá os Jogos Olímpicos de Tóquio - 2020.


Lá, Ítalo protagonizou uma das melhores histórias do ano. Ele teve o passaporte furtado nos EUA, precisou correr contra o tempo para tirar nova documentação, ter o visto japonês e chegar ao local de competição. Quando desembarcou no aeroporto de Miyazaki, sua bateria estava na água. Deixou suas malas para trás, pegou carona, chegou à praia sem equipamento, pegou uma prancha emprestada com Filipe Toledo e se classificou. Depois disso, deu um show nas fases seguintes e foi campeão.


Já na primeira etapa do ano do Circuito Mundial de Surfe, em Gold Coast, ele foi campeão e começou com o pé direito. No evento seguinte, em Bells Beach, também na Austrália, acabou caindo nas quartas de final. Já a terceira parada foi em Bali, mas ele não teve um bom resultado em Keramas.


Com um desempenho um pouco irregular, Ítalo acabou sendo eliminado para o havaiano John John Florence em Margaret River nas quartas de final. A ducha de água fria veio em casa, na etapa de Saquarema, no Brasil, quando ele deu adeus cedo à disputa ficando apenas na 17ª posição da etapa brasileira.


Com resultados não tão bons, ele sabia que precisava reagir no Circuito Mundial e foi isso que fez na África do Sul, ao chegar à final e perder apenas para Gabriel Medina. Na sequência, no Taiti, obteve um 17º lugar e no evento seguinte, na piscina de ondas de Kelly Slater, na Califórnia, ficou na nona posição.


Após esses resultados não tão empolgantes, Ítalo quase jogou a toalha, mas reuniu forças e partiu cedo para a Europa, a fim de reagir na temporada. Na disputa em Hossegor, na França, foi vice-campeão, perdendo a decisão para Jeremy Flores, e depois, em Peniche, ganhou o evento português e chegou ao Havaí como líder do ranking mundial.


Vestindo lycra amarela, ele teve o experiente Shane Dorian como conselheiro em Pipeline, aproveitando as dicas do surfista local para se dar bem nos tubos do North Shore havaiano. E com a boa performance nas ondas mais famosas do mundo, Ítalo conquistou seu primeiro troféu de campeão mundial da Championship Tour da World Surf League e já avisou que quer mais.


Brasil, país do surfe

O surfe nunca esteve em um momento tão bom como este no Brasil: neste ano, dos 34 surfistas que disputaram a categoria principal masculina do Championship Tour da WSL, 12 eram brasileiros e três deles ficaram entre os quatro melhores do mundo: Ítalo Ferreira sagrou-se campeão mundial; Gabriel Medina é o vice-campeão; e Filipe Toledo ficou em quarto lugar no ranking mundial. Ítalo e Medina representarão o Brasil na estreia do surfe como esporte olímpico, nos Jogos de Tóquio em 2020.


Em 2019 Tatiana Weston-Web foi a sétima colocada no campeonato mundial feminino de surfe e Silvana Lima a oitava colocada no ranking das mulheres. A gaúcha Tatiana – que é filha de uma brasileira com um inglês – e a cearense Silvana já se classificaram para representar o Brasil nos Jogos de Tóquio. E nos últimos dias de novembro, o jovem catarinense Lucas Vicente sagrou-se campeão mundial na categoria Pró Júnior da World Surf League. “A vitória do Lucas indica ótimas perspectivas para o surfe nacional para as gerações futuras e que o esporte terá perenidade no futuro”, considera Martinho.


CEO da WSL para a América Latina, Ivan Martinho associa o efeito “Brazilian Storm” e o boom do esporte no Brasil a um aumento significativo do interesse das marcas em relação ao surfe e seu universo, o que fez dobrarem os investimentos de marketing em patrocínios à modalidade. “O trabalho é contar para as empresas qual é o nosso posicionamento e trazer marcas que tenham os mesmos preceitos que os nossos, inclusive os dos compromissos com sustentabilidade, qualidade de vida e igualdade de gêneros”, diz.


Os dados positivos do surfe continuam: em 2019, houve um aumento de 30% nos números de audiência nas mídias que transmitem os torneios em relação aos anos anteriores. E a Liga tem conquistado muito espaço no País realizando eventos de outras categorias em Florianópolis, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco. No ano que vem, além destas, a WSL pretende expandir território, explorando mais regiões brasileiras.


Segundo informações da WSL, é o Brasil, aliás, que registra o histórico recorde mundial de público na praia para acompanhar uma etapa do campeonato. Aconteceu em 2015, no Rio Pro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, quando cerca de 50 mil pessoas estiveram na areia por dia de competição.

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